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Desabafo

São sempre delicadas estas afirmações quando partem de mim, porque podem parecer casuísmo político.
Lembro, no entanto, que não possuo mais mandato e nem tenho clareza se serei candidato novamente.
Pois bem, não são os alagamentos constantes que me chocam enquanto cidadão inserido no contexto político de Itajaí, mas a maneira como as autoridades mascaram nossos problemas estruturais, e como aceitamos tudo isso passivamente.
As renomadas jornalistas, que, por certo, custaram uma fortuna à campanha vitoriosa de 2012, nos davam a certeza de que em vários desses lugares que hoje estão mais uma vez embaixo d`água, não haveriam mais alagamentos.
As pessoas, de boa fé e sem ter a obrigação de conhecer a legislação, acreditaram nisso, porque é de se pressupor que o programa eleitoral que vai ao ar está revestido de boa índole, porque tanto jornalistas como políticos dominam informações que a população em geral, nem que quisesse, teria acesso. Ou seja, há presunção de seriedade naquilo, ao ponto em que quem contestava, como nós, na época, era taxado como crítico ou não propositivo.
Enfim, decisões judiciais, uma delas recentemente confirmadas no Tribunal Regional Eleitoral, já afirmaram que aspectos legais não foram observados, levando o eleitor à erro. Imagens que circulam nas redes sociais, em confronto com os episódios dos últimos dias, mostram que a verdade, ou, no mínimo, a seriedade, faltou e muito.
Não quero com isso reeditar um processo eleitoral que já passou. Não é isso. Apenas trazer uma reflexão genérica sobre a fantasia que se cria em campanhas eleitorais, lembrar que recebemos milhões de reais do Governo Federal para obras de macrodrenagem, e fazer um paralelo com a Lei de Zoneamento, aprovada sem participação popular.
Afinal, de que adianta sermos o 35º PIB do país, com larga participação no retorno dos tributos estaduais e federais, se nos impõe ainda o aumento abusivo nos nossos próprios impostos e não dão solução aos nossos problemas mas antigos e elementares.
E o pior, na maior cara de pau imputam a culpa aos adversários, como à mim, que saí em defesa da sociedade ao solicitar judicialmente a revogação da lei do zoneamento, exatamente porque entendo que a cidade não pode aprovar um código de tamanha importância sem levar em consideração as pessoas e o futuro da cidade, especialmente sob o aspecto das cheias.
Como diria a Dona Mima, minha avó, “essa gente tá precisando de mais juízo”.foto

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