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Maior PIB de Santa Catarina, e daí???

Maior PIB de Santa Catarina, e daí???

A notícia é que Itajaí superou Joinville e é o 1º PIB de Santa Cataria, mas e daí??? E daí no sentido de que, ainda que tenha que ser noticiado, já havia uma expectativa de que no ano seguinte (2012) à última medição (2011) esta seria a realidade: que somos uma potência econômica, portanto, não é novidade para ninguém já há algum tempo.

A comemoração, no entanto, para por aí!!! Ou seja, impossível não celebrar um número importante como este, mas impossível também não se indignar quando este número tende a não se manter a médio e longo prazo pela inércia do governo municipal e letargia da classe política local, e, especialmente, porque não se traduz em desenvolvimento socioambiental e humano.

É preciso lembrar que o grande Porto de outrora acumula um déficit de 11 milhões construído ano após ano  a partir de 2008, com a Prefeitura tendo que tapar o buraco com dinheiro dos teus impostos, como fez dias atrás ao repassar 3,5 mi para a Autarquia.

Lembrar que dos 11 dos objetivos do milênio estabelecidos pela ONU, a cidade só alcançou 03 até agora (fonte: http://www.portalodm.com.br/relatorios/perfil/BRA004042126/itajai—sc).

Que no Índice Firjan, principal indicador de desenvolvimento do país, no consolidado, Itajaí é apenas a 5º cidade do estado (e em razão exatamente da boa arrecadação e condição econômica), pois no mesmo índice para a saúde, por exemplo, é a penas a 22ª, e para a educação, ocupa a lastimável colocação de 97ª no estado. (Fonte: http://www.firjan.org.br/ifdm).

Que em 2013, um ano após a amostra do IBGE que nos elevou à primeira posição do PIB, Itajaí ostentava um índice vergonhoso de mortalidade infantil na casa de 17,17 óbitos para cada 1.000 nascidos vivos, contra uma média estadual de 11,15. Se considerarmos que este indicador é um dos principais medidores de civilidade de um povo, não é exagerado adjetivar, como fiz, de vergonhoso, para dizer o mínimo!!! (fonte: http://www.saude.sc.gov.br/cgi/tabcgi.exe?Ind_Mortalidade_Infantil/Ind_Mortalidade_Infantil_graf.def).

O lugar comum do pensamento político da cidade é o de prosperidade: uma prosperidade econômica que bem se reflete na construção civil, no consumo, na instalação de empresas, etc.

A outra realidade, no entanto, reflete uma conjuntura socioambiental e de perspectiva governamental de Itajaí que refletem subdesenvolvimento, já que as áreas da saúde, educação básica e gestão ambiental, diretamente ligadas às atribuições mais elementares dos governos municipais, apresentam números que deslustram, e demonstram a assertiva daqueles que cobram ações proativas focadas nos cumprimentos de metas universalmente aceitas como determinantes ao melhor futuro do planeta terra e da humanidade: Itajaí, nas áreas sociais, é governada com a barriga, em resumo, porque não se empenha em reduzir seus buracos. Faltam creches, por exemplo, mas que se preocupa com a educação infantil???

Nossas condições geográficas e vocações históricas fizeram emergir esta potência que não é só porto, mas também uma indústria bem consolidada representada pela pesca, construção naval, metalurgia, metalmecânica, têxtil, civil, etc., que geram serviços e movimentam o comércio de maneira importante, mas nossas condições governamentais põem em risco esta situação de “vacas gordas”: Uma máquina inchada e ineficiente não consegue dar respostas satisfatórias à sociedade, o que é obrigação considerando o tamanho de sua arrecadação.

Itajaí precisa assumir essa responsabilidade, porque ostentar um número não significa nada!!!

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